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Como perturbar a mente de um músico? Artigo de professores do Corpuslab aborda a relação entre músicos e instrumentos. – Grupo de Pesquisa Corpuslab

Os professores Luiz Naveda e Marília Nunes acabam de publicar um artigo no Journal of New Music Research, uma dos principais jornais da área de musicologia:

“Breaking down the musician’s minds: How small changes in the musical instrument can impair your musical performance.”

(Quebrando a mente dos músicos: como pequenas mudanças no instrumento musical podem afetar sua performance musical)

NAVEDA, L.; NUNES-SILVA, M. Breaking down the musician’s minds: How small changes in the musical instrument can impair your musical performance. Journal of New Music Research.

https://doi.org/10.1080/09298215.2021.1973511

O artigo descreve um experimento onde acordeonistas, violonistas e pianistas realizam tarefas musicais simples em uma interface musical que simula um acordeom. Os resultados indicam que os acordeonistas produzem muito mais erros que os outros sujeitos para a mesma tarefa, realizada sobre o tablet e com botões arranjados em diferentes posições. Esta dificuldade dos acordeonistas em se adaptar à uma interface que é similar ao acordeom sugere que modificações no instrumento musical original do músico produzem mais perturbações para músicos em interfaces simulando seu próprio instrumento que a tarefa de tentar tocar uma interface de um instrumento que você não conhece.

Adaptação do acordeom para a interface em um tablet, como proposta no estudo.

Descrição das tarefas do estudo

Essa verificação parece contraintuitiva, mas os resultados suportam a hipótese da “mente estendida” (CLARK; CHALMERS, 1998). Nesta proposta, objetos que utilizamos em nossas atividades são concebidos como parte de nossa “mente” e qualquer modificação nesses objetos pode destruir nossa capacidade comportamental como se uma parte do cérebro estivesse sendo alterada.

Na figura abaixo notamos que na terceira tarefa (tocar uma escala), onde os dedilhados são desconhecidos para todos os sujeitos (incluindo os acordenistas), os acordeonistas têm muito mais dificuldade em realizar a tarefa, o que é refletido na quantidade de erros ilustrada abaixo.

Quantidade de erros por grupo de sujeitos e tarefas.

O estudo aponta para o impacto da materialidade das interfaces e objetos sobre uma forma de produção cultural como a música, considerada dentro da noção de patrimônio “imaterial”. O estudo ainda lança elementos que suportam hipóteses importantes sobre a medição entre música e corpo.

Referências:

CLARK, Andy; CHALMERS, David. The extended mind. Analysis, [S. l.], p. 7–19, 1998. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/3328150. Acesso em: 5 jul. 2015.